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— O que estou dizendo?!
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Quem sabe esta merda acabe e Pandora abra sua caixa de vez; quem sabe, nada aconteça e essa história seja apenas mais uma entre tantas outras sem continuação.
Quem foi que disse que cú de bêbado não tem dono? Tem sim. É meu. Pelo menos o das bêbadas. É a coisa que eu mais gosto de fazer. Tomo meu banho, ponho minha roupinha mais tchan e saio pra cata. Barzinho, boate... Não importa o lugar. Tem sempre uma perdida dando sopa com o tesouro da mamãe. Ontem mesmo papei duas. Saldo baixo alguns podem pensar. Mas não se eu contar como foi. Na verdade nem preciso contar a história. Quem é malandro já sabe o que rolou, e quem é otário... Vá correr atrás pra saber como se faz. Mas só pra ter uma idéia, eu comi as duas na mesma hora. E melhor, eram irmãs... gêmeas. Ou quase. Quero dizer, foi o que pensei logo de início até levar as duas pro estacionamento. É malandro, foi no meio dos carros. Pior, colado na traseira do possante do marido de uma delas. Foi aí que eu descobri que não eram irmãs e sim mãe e filha. Tem noção? Cara de uma, focinho da outra. E aja botox. Mas não sou contra não. No fim das contas a coroa estava melhor que a filha de 17. Depilada de cima em baixo. Cara, as duas de rabo virado pra lua apoiada num Sedan marinho e disputando qual ia me dar primeiro. Eu sou feio, admito. Gordo, baixinho e narigudo. Mas minha lábia só perde pra minha rola. Primeiro meti na mãe. Não valho nada, mas nessas horas, sou educado. As mais velhas tem a preferência e aquela coroa tinha toda a minha preferência. Estava quase mandando a filhinha entrar e pegar uma bebida pra gente de tanto que ela gemia querendo também. Por fim, tirei da dona e parti pra mina. Queria que eu comesse a buceta. Disse que não. A buceta ela que desse pro namoradinho dela. Meu negócio era o cú. Eu só queria o cuzinho. Reclamou dizendo que assim não ia dar. Mas quando olhou pra trás — Surprise! — disse que estava bom, mas tinha que andar logo que o celular estava tocando no bolso. Ele sentia o vibracall tremer-lhe as pernas. Depois viu que não era chamada nenhuma. Elas tremiam por outra coisa. Forcei a barra com a gatinha e, depois que ela terminou, voltei pra mãe. A coroa já estava ajeitando a calça quando eu me virei e disse: Já vai? Agora que eu ia te dar um banho... Há alguns metros à frente, a filha já entrava pela porta dos fundos daquele inferninho, tropeçando nos próprios pés. Só deu tempo de vê-la revirar os bolsos e sacar o celular. Ajeitou a calça no meio do rabo e entrou. Lá fora éramos só eu a e Dona Botox. Parti pra cima e no final não sei como a lataria não amassou. Mas... Sedan é Sedan. A tia acendeu um cigarro com cheiro estranho e me ofereceu. Parecia maconha, mas com um aroma de canela no fundo. Disse que não com a cabeça e levantei o zíper. No chão a poça esbranquiçada diluía-se sobre o piso molhado. Deixei-a com as calças ainda arriadas tentando suspender no meio daquela fumaceira adocicada. Ela estava muito doida. Acho que ficou por lá mesmo, não sei. Foda-se não fui lá pra salvar ninguém. Só fui pra comer o que é meu.
15:32 piscava no canto da sala. O relógio quadrado vomitava um ruído insuportável para alguém que como eu, havia passado da conta outra vez. A cabeça latejava sob o travesseiro flocado, cujas espumas amenizavam como podiam meu sofrimento. O pensamento vagava solto, inútil até bem próximo do aparelho, no entanto, o corpo não respondia a seus convites. Estático, desejava apenas que aquilo parasse, todavia, não contribuía em nada para que o alívio enfim, se instalasse pelo menos por alguns segundos até a mente perceber o emaranhado que se escondia por detrás da incômoda sirene. Uma falange de crianças em férias ocupava o espaço, antes desértico das calçadas em frente, com suas pipas, bolas e tantas outras ferramentas perturbatórias de sonos alheios. Os carros desviados por obras infindáveis de recapeamento soavam ainda mais fortes, apesar da distância em que aquele olho transitório se encontrava. Eu implorava para que o alarme parasse, torcendo no fundo, para que aquilo não acontecesse. Para que ele enfim, não trouxesse a tona, toda aquela turba demoníaca que exalava da cidade. Ah a cidade... A velha amiga. A grande companheira. Puta para todas as horas, todos os desesperos. Desesperos que ela mesma criava e que, caridosa, nos amparava debaixo de suas saias pontiagudas e concretas. A verdade, é não quero me levantar hoje. Não posso. Se me colocar de pé não sei o que virá primeiro. Um tombo. Um desmaio. Ou simplesmente, um vômito insosso, guardado no caminho para o estômago. Não. Não vou descer ainda mais. Hoje não. Vou continuar aqui, soterrado pelas cobertas. Debaixo de meus escombros. Esperar pela bonança é algo doloroso quando estamos no meio de uma tempestade. Mas ela há de vir. Ou simplesmente serei levado por essas águas amargas. Por minha vida amarga. Minha boca amarga.
— Eu preciso salvar o menino. Ele não fez nada. Ele não fez... Eu preciso salvá-lo. — Foi tudo o que o andarilho conseguiu cuspir pela boca seca e cortada. E olha que à tarde já havia caído. Mas a tremedeira e a temperatura elevada do corpo lhe aprisionavam a consciência num lugar escuro. Bem longe dali.
"Já fazia algum tempo desde meu último encontro com a safada da Lia. Lembro que naquele dia, a noite foi longa. O banho acabou demorando mais que necessário e, mesmo na hora de deitar, ainda carregava para cama aquela dor cólica expandindo do saco para todos os lados."
"Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco."